O mercado de SUVs compactos tem movimentado o setor automotivo ao longo dos últimos anos. Aliás, de 2025 para cá, o subsegmento ganhou um competidor de peso: o Volkswagen Tera, que, em seus primeiros seis meses, conseguiu emplacar mais do que seus principais concorrentes, Renault Kardian e Fiat Pulse. Depois desse primeiro semestre forte, a expectativa é que o modelo siga crescendo em vendas, mas o que será que o “novato” da VW entrega em relação aos rivais?
Motivados por essa pergunta, nós, da Roda Rio, decidimos fazer um comparativo com os três modelos. Para realizar a disputa, avaliamos as duas versões topo de linha dos representantes da Renault (Iconic) e da Fiat (Impetus Hybrid), que custam os mesmos R$ 149.990.

No caso do SUV da Volkswagen, a versão usada para representar a terceira via do comparativo foi a intermediária 170 TSI Manual (R$ 121.390). Em alguns pontos, contudo, substituímos essa configuração pela opção topo de linha, a High, de R$ 144.390, como forma de equiparar a faixa de preço dos utilitários compactos. Indicados os “competidores” e as regras, vamos ao que interessa.
1.0 turbo para todos os gostos

A motorização é o primeiro item da nossa lista e, de cara, já temos pontos em comum e outros bem distintos entre os modelos. Todos têm motor 1.0 turbo de três cilindros, mas apenas o SUV da Fiat é equipado com algum tipo de sistema híbrido. No caso, a versão Impetus Hybrid traz um sistema híbrido leve que substitui o motor de arranque por uma unidade elétrica de 4 cv. Esse motor auxilia o carro nas saídas e promete redução no consumo.
Além do diferencial “verde”, o Pulse, na versão topo de linha, também é o mais potente dos três. São até 130 cavalos gerados pelo motor T200, que rende bem e faz o suficiente para empurrar o SUV da Fiat.
O segundo em potência é o Renault Kardian, com até 125 cavalos, gerados pelo motor HR10. Por último, o Volkswagen Tera atinge 116 cavalos com o motor 170 TSI — o mesmo usado no antigo Up!.
Em torque, o modelo da Renault fica à frente do Pulse. O SUV francês entrega até 22,4 kgfm a 2.250 rpm, enquanto o Pulse chega a 20,4 kgfm a 1.750 rpm. Por último, o Tera rende apenas 16,8 kgfm a 1.750 rpm. No zero a 100 km/h, o Pulse confirma a liderança, com 9,4 segundos, frente aos 9,9 e 11,7 segundos de Kardian e Tera, respectivamente.
Do CVT ao manual

O câmbio dos três modelos tem pouco em comum. A transmissão acoplada ao motor T200 do Pulse é do tipo CVT, com sete marchas simuladas, priorizando o conforto ao dirigir.
No caso do Tera 170 TSI, o câmbio é manual de cinco marchas, que dá mais liberdade ao motorista para explorar o rendimento do motor turbo 1.0, mas cobra um preço maior nos momentos de anda e para.
Já no Kardian, a transmissão é automatizada de dupla embreagem e seis marchas, oferecendo trocas rápidas e sem trancos. O desempenho do modelo, apesar de não ter proposta esportiva, agrada bastante na cidade, sem o incômodo atraso do turbo lag. A sensação é de um carro ágil no dia a dia.
Acabamento

O acabamento é outro tópico em que os modelos têm similaridades, mas também diferenças claras. A começar pelo SUV da Fiat, que traz detalhes metalizados, acabamento em black piano e plástico texturizado em algumas partes. Os bancos têm revestimento em couro sintético, assim como o volante e os apoios de braço nas portas dianteiras.
O Volkswagen Tera, na versão intermediária, apresenta detalhes em tecido cinza mescla e plástico texturizado no painel. Os bancos combinam o revestimento do painel com tecido preto e trazem o nome do modelo no encosto. No console central, há apenas o uso de material rígido e fosco. Ao menos, nenhuma peça apresenta encaixes irregulares, rebarbas ou parafusos aparentes.
No quesito acabamento, o Kardian é um dos melhores entre os Renault nacionais, embora utilize apenas peças de plástico rígido, com bons encaixes. A versão Iconic, novidade da linha 2026, trouxe detalhes em tom marrom no painel e nos bancos revestidos em couro.
Equipados

Dentro da mesma faixa de preços, Kardian Iconic e Pulse Impetus Hybrid trazem uma lista de equipamentos bem caprichada, com o Volkswagen Tera 170 TSI correndo por fora. Todos os modelos têm, de série, faróis de LED, central multimídia e painel de instrumentos digital.
No caso da versão topo do modelo da Fiat, a central multimídia tem tela de 10,1 polegadas, enquanto o quadro de instrumentos digital mede 7 polegadas. Há ainda ar-condicionado automático digital, carregador por indução, chave presencial, partida por botão, quatro airbags e piloto automático. O diferencial do modelo em relação aos rivais está no pacote opcional que agrega teto solar panorâmico. As rodas são de liga leve de 17 polegadas, de série.

Em outra faixa de preço, a versão intermediária do Tera não faz feio. O modelo vem equipado de série com painel de instrumentos digital de 8 polegadas, central multimídia de 10 polegadas, ar-condicionado convencional, sensor de estacionamento traseiro, faróis e lanternas de LED, piloto automático e seis airbags. As rodas de liga leve de 16 polegadas da versão avaliada são opcionais — o pacote básico traz apenas rodas de aço com calotas. Na versão High, o equipamento vem de série.
Nesse quesito, o Kardian se destaca. O modelo adota um novo painel de instrumentos digital de 10 polegadas, uma evolução importante em relação à tela de 7 polegadas do Kardian 2025. A central multimídia de 10 polegadas também é novidade da linha 2026 e conta com bordas mais finas, maior resolução e funcionamento mais rápido, além de Android Auto e Apple CarPlay sem fio. O diferencial no segmento é o freio de estacionamento eletrônico.
Em segurança, o modelo conta com os mesmos seis airbags do modelo da Volkswagen, além do controle de cruzeiro adaptativo. Diferentemente da versão do Tera avaliada no comparativo, a configuração High também oferece o ACC e outros sistemas ativos de segurança.
Espaço parecido

Em espaço interno, os três SUVs compactos voltam a se equiparar. O Volkswagen Tera é maior em comprimento (4,15 metros) e largura (1,77 metro) em relação aos rivais, mas perde em entre-eixos para o Renault Kardian. O modelo francês tem 2,60 metros, enquanto o SUV da marca alemã tem cerca de 4 centímetros a menos. Na prática, as medidas maiores do Kardian confirmam a sensação de cabine mais ampla percebida por nós ao sentar no banco traseiro, em comparação aos rivais.
O título de maior porta-malas do comparativo também fica com o Kardian. São 358 litros de capacidade, cerca de 38 litros a mais que o Pulse e oito litros acima do Tera.
Consumo
Durante nossa avaliação, percorremos mais de 200 quilômetros com cada um dos modelos. Nesse percurso, o SUV da Fiat alcançou média de 10,7 km/l com gasolina. O Volkswagen Tera, em condições similares, registrou 9,7 km/l com o mesmo combustível. Já o Kardian apresentou média de 10,8 km/l com gasolina.
Preço e versões
A versão Iconic é a topo de linha do Kardian e custa R$ 149.990. O valor é o mesmo cobrado pela Fiat no Pulse Impetus Hybrid e cerca de R$ 5 mil acima do Volkswagen Tera High. No entanto, é possível encontrar o Kardian com preços mais competitivos nas concessionárias da Renault.
Conclusão

A escolha entre os modelos deve considerar as necessidades de cada motorista. Se a prioridade for espaço interno, o Renault pode ser a melhor alternativa. Já para quem busca um modelo com sistema híbrido, o Pulse se destaca. Por outro lado, o Tera entrega um conjunto competitivo em relação aos rivais por cerca de R$ 5 mil a menos no preço. Cabe avaliar cada cenário.
Por Lucas Cardoso e João Buffon
Fotos: Lucas Cardoso e João Buffon
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